O RUMO DE LULA
Quando olhamos a história a partir de eventos esparsos, não é difícil darmos razão a Schopenhauer: o universo e a própria história, tudo isso é um caos. A força metafísica que tudo move é algo como a Vontade, ela não tem qualquer sentido. Quando olhamos a história a partir de um voo de águia, ou talvez da própria coruja, tendemos a considerar plausível a narrativa de Hegel: há um sentido na história. A força metafísica que tudo move é a Razão, ou melhor, a “astúcia da razão”. A razão é astuciosa, faz eventos díspares confluírem para um sentido.
Talvez seja mais interessante olhar a história da política de Lula, especialmente as de sua passagem por governos, antes com Hegel que com Schopenhauer. À primeira vista os feitos parecem não correrem produzindo algum sentido. Os críticos dizem que Lula 3 é um governo sem rumo, mas essa vidão pode mudar completamente se tomarmos cada evento em relação aos mais pobres, aos trabalhadores em geral, como sendo o fio condutor de nossa visão. Veremos que o bolsa família ajudou a tirar os mais pobres da miséria. Veremos que, depois, a ideia de investimento público ajudou os mais pobres a estudar e ter melhor saúde. Veremos, finalmente, agora no Lula 3, medidas que não tinham como serem postas na ordem do dia nos governos Lula 1 e Lula 2, mesmo quando Lula tinha um Congresso menos opositor. Para fazer o Programa Bolsa Família virar um consenso demorou vinte anos. O Rei do Ovo falou contra o Bolsa Família, a imprensa se voltou contra ele. No ano 2000 ele seria aplaudido! Agora, estamos na mesma batalha quanto à tributação.
O rumo do governo foi posto na campanha de Lula: colocar o pobre no orçamento e o rico no imposto de renda. Haddad vive repetindo isso. O rumo é este. Era este antes, mas não tinha como ser colocado senão agora. Pois antes era necessário fazer a miséria diminuir e o desemprego desaparecer. Olhando assim, com a narrativa de Hegel, podemos perceber que não é fácil que o rumo da história apareça, mas, com cuidado no olhar, ele pode ser tomado como existindo. O rumo tem sido perseguido desde o Lula 1, mas cada momento foi vivido segundo o que se podia fazer as elites engolirem. Elas nunca desprezaram a força do dinheiro para fazer a história não ter o rumo que queremos, mas sim o rumo do simples e contínuo acúmulo do capital.
A batalha do IOF mostrou que a direita não tem resposta para Lula quando a questão é posta nos termos de justiça social por meio de justiça tributária. Nessa hora, os ideólogos da direita, revoltados e ressentidos, voltam a pregar o caos. Dizem que não há rumo no governo. Pois o rumo do governo não é o rumo que eles querem. Insistem que o governo não pode gastar, mas, quando o gasto é com os projetos dos planos dos aplicadores (que se autodenominam investidores), aí o governo deve gastar. Assim pensam. Assim agem. Tentam convencer inclusive os que votaram no Lula que o governo não tem rumo. Mas estou dizendo, olhem pelo fio condutor do que é feito em favor dos mais pobres, e você se tornará um pouco hegeliano, vendo algum sentido na história, a história do movimento de esquerda dos últimos anos.
Paulo Ghiraldelli Professor, filósofo e escritor. Fez seu mestrado e doutorado em filosofia na USP. Fez mais um mestrados e mais um doutorado, na filosofia da educação na PUC-SP. Seu pós doutorado foi em Medicina Social na UFRJ, no grupo do médico e psicanalista Jurandir Freire Costa. Fez graduação em Filosofia no Mackenzie e em Educação Física em São Carlos, em escola posteriormente encampada pela Universidade Federal de S. Carlos (UFSCar). Possui carteira profissional de jornalista e se trabalha como escritor. Lecionou em várias universidades no Brasil, teve experiências como pesquisador na Nova Zelândia e Estados Unidos, como Visiting Professor. Foi professor livre docente e titular da UNESP e se aposentou na Universidade Federal do Rio de Janeiro
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Comprou a elite e o centrão. Isso não é Hegel e nem mestre Shopen e claro aqui um ponto. Este é um fantoche protagonista de escandalos além corrupção em qualquer tempo em cada mandato, a mando de um organismo econômico mais dinamico e inteligente que o grupo politico minoritário. Em 20 anos de cargo pouco realizou frente ao tempo e o assistencialismo já é existente no país claro frente as realidades correntes desde o império. Uma figura de importância sem dúvida, bom orador, espelha identificação de massas e nichos em detrimento do próprio carater (boff). Instituições e academias instrumentalizadas de modo profissional desde muito e claro não pelo próprio, porém pela elite que patrocina a monarquia deste grupo desde o tempo pré militar e podemos chegar dos amigos do Deodoro a Dirceu. Creio é um caso peculiar de democrata no terceiro mandato pós constituinte ao continente americano e de complexa avaliação
Nossa, como que pode tamanha ignorância?
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