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AS MULHERES DA IGREJA UNIVERSAL E DO PONDÉ. A farsa ideológica continua.

A ideia básica da Igreja Universal com suas novelas sobre “esposas de reis” é simples no seu intuito ideológico: as esposas não são bobocas, elas exercem poder, contanto que seja fazendo sugestões aos maridos segundo a ordem conservadora que ele, enquanto rei ou chefe da casa, já iria mesmo defender.

Pondé é um Bispo Macedo enrustido. Sua missão de defesa de tudo que é reacionário no mundo, é igual ao do progenitor da Universal.

A ideia de Pondé em sua saga de defesa do estado de Israel (Folha, 20/04/25), é dizer que lá é uma democracia, que as mulheres e minorias não são oprimidas. Então, ele reconstrói a história bíblica, mentindo sem corar o rosto. Em um primeiro momento, diz que as mulheres exerciam poder, mas sem usar o sexo, junto com os reis ou mandatários. Ou seja, tanto no passado quanto no presente do estado de Israel, as mulheres não seriam relegadas ao que a caricatura do feminismo diz: objetos sexuais. Dois parágrafos depois, ele se desmente, e diz que a ciência política “não sabe o que ocorre sob os lençóis”, sendo que é nesse lugar que as mulheres fazem política e comandam os reis. Ora, se é sob os lençóis que são ouvidas, então não exercem poder algum, apenas são de fato elementos de satisfação sexual. Pondé não percebe seu erro. Um garoto de ginásio perceberia.

A Universal sabe o que quer. Pondé tenta fazer algo semelhante, mas ele não sabe escrever como os arautos do Bispo Macedo, e cai em contradições. Qualquer fazedor de novela da Record se sai melhor que Pondé. Todos eles, no entanto, não fogem correndo da principal questão que surge de seus escritos: se a mulher exerce poder sendo conselheira do lar, como eles dizem, isso gera dúvidas rápidas: basta procurarmos olhar se alguma delas defendeu uma ordem que deslocasse a sociedade para inovações sobre a ordem patrimonial. Ou seja, se exercem poder, obviamente como “segundo sexo”, só o fazem se o que sugerem já seja o desejo do rei. No máximo trazem à consciência do rei algo um tanto nublado ou esquecido. Elas massageiam o ego do rei ou mandatário, imaginam com isso exercer poder, tapeiam os historiadores bobocas e, enfim, conseguem não o que gostariam de ter, talvez, mas o que o rei já teria até decidido igual: a defesa do status quo da sociedade em questão.

Em outras palavras: nos grandes conselhos das tais mulheres importantes, os proprietários continuam proprietários, os donos do dinheiro continuam os mesmos, ou suas famílias, os de baixo continuam indo para baixo.

A dominação no mundo antigo sobre a mulher não é machismo, não é misoginia. Não é bom usarmos esses termos para o mundo antigo, pois são termos do embate político moderno. A dominação é a dominação masculina. O mundo antigo é masculino, nisso o Oriente e o Ocidente diferem pouco.

O estado de Israel não é a democracia moderna protetora de minorias, incrustado em um oriente selvagem que coloca as mulheres sob burca. O estado de Israel, enquanto herdeiro do mundo do Velho Testamento, é um estado que absorve decisões de mulheres se essas decisões forem as de racismo, reacionarismo e genocídio de palestinos. A mulher israelense peladinha na praia carregando uma metralhadora não é símbolo de libertação, mas sonho da completa submissão aos valores do poder masculino vigente no mundo antigo.

Paulo Ghiraldelli Professor e filósofo. Fez seu mestrado e doutorado em filosofia na USP. Fez mais um mestrados e mais um doutorado, na filosofia da educação na PUC-SP. Seu pós doutorado foi em Medicina Social na UFRJ, no grupo do médico e psicanalista Jurandir Freire Costa. Fez graduação em Filosofia no Mackenzie e em Educação Física em São Carlos, em escola posteriormente encampada pela Universidade Federal de S. Carlos (UFSCar). Possui carteira profissional de jornalista e se trabalha como escritor. Lecionou em várias universidades no Brasil, teve experiências como pesquisador na Nova Zelândia e Estados Unidos, como Visiting Professor. Foi professor livre docente e titular da UNESP e se aposentou na Universidade Federal do Rio de Janeiro


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3 comentários em “AS MULHERES DA IGREJA UNIVERSAL E DO PONDÉ. A farsa ideológica continua.”

  1. eliandro da silva gonçalves – eu sou comunista, e isso basta.

    Leio e ouço o Pondé, ele está na vitrine, e se dá muito bem como estrela, se expressa bem dentro dos cânones da mídia hegemônica, possui uma boa oratória e retórica. (isso é essencial para apresentar a autoajuda como se fosse filosofia) Hoje se equivaleria – até certo ponto, e um ponto – aos sofistas na visão de Sócrates. Acrescentaria, ousadamente, de que Pondé está para a direita como uma mistura de o bispo Macedo com o Olavo de Carvalho.

  2. JHIRADELLI, TAPA NA CARA DE UMA MULHER NO PARANÁ, EXPULSÃO DA UNESP, ASSEDIADOR NA UFRRJ! QUEM É MAIS PICARETA? PONDÉ, OLAVO OU JHIRALDELLI? SEMPRE PEGANDO AS NOVINHAS INGÊNUAS QUE NÃO SABEM DA SUA HISTÓRIA…. KKKK

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