A ideia mais recente do secretário de Educação do Estado de S. Paulo, Renato Feder, é a de agir como feitor, não como administrador. A administração moderna no setor público ou privado coloca metas, e para alcançá-las o administrador trabalha com o incentivo para os membros de sua equipe. Feder desconhece isso. Ele não toma os diretores de escola como fazendo parte de uma equipe que, enfim, administra junto com ele o ensino paulista. Ele toma os diretores como empregados de fábrica de um capitalismo atrasado.
Assim, a medida administrativa dele é, agora, a de afastar diretores de escola que, segundo avaliação altamente discutível, não estão fazendo a escola render o que ela deveria de render. Como? Se a escola está em um lugar de um bom IDH, então ela tem de apresentar resultados condizentes com o IDH. É uma avaliação tosca. Não cabe. Não respeita especificidades de cada escola. Assim, os afastamentos são arbitrários, desmotivam todos os diretores, e terminam por criar um ambiente de mesquinhez que faz toda a educação piorar. Se não bastasse isso, o próprio secretário diz que vai chamar cada diretor que não conseguiu cumprir a meta maluca, para uma conversa com ele. É pura intimidação, perseguição e terrorismo. Feder não vai conseguir nenhuma melhoria da educação com isso. Muito pelo contrário. Como explicar teoria da administração moderna para uma pessoa como ele? Parece impossível.
O problema todo começa com o tipo de gestão que Tarcísio de Freitas faz em São Paulo. A ideia é sempre a de privatizar tudo. Essa privatização não quer mais só atingir as instituições. Deseja-se ir para os corpos das pessoas. Cada funcionário público tem um corpo que é visto como uma propriedade do governador, sendo que Feder ganha um naco, podendo agir como aquele que determina, por mera idiossincrasia, que o corpo de um diretor seja depositado em um lugar de ostracismo.
O resultado disso é que mesmo os diretores não chamados por Feder, perderam a confiança na Secretaria de Educação. Não enxergam mais no secretário um potencial aliado para ajudar na vida escolar, mas uma pessoa má, que com regras opressivas quer, no limite, alimentar pequenos ódios populares contra diretores de escola. No clima relativamente neofascista atual, não é difícil para o secretário tentar angariar votos para Tarcísio, na base da perseguição. Jânio Quadros e outros da direita já fizeram isso: vamos punir os funcionários públicos, principalmente professores, e então despertar as falhas de resolução do complexo de Édipo de certos setores ressentidos da população. Em outras palavras: vamos mobilizar as pessoas de direita.
Os professores e, principalmente os diretores de escola, enfrentam violências vindas desse tipo de gente. Chegam inclusive ao incentivo a grupos que depredam escolas públicas. Agora, essas gangs e os ressentidos têm um aliado na chefia de instituição estatal: Feder. E isso a mando de Tarcisio.
Paulo Ghiraldelli Professor, filósofo e escritor. Fez seu mestrado e doutorado em filosofia na USP. Fez mais um mestrados e mais um doutorado, na filosofia da educação na PUC-SP. Seu pós doutorado foi em Medicina Social na UFRJ, no grupo do médico e psicanalista Jurandir Freire Costa. Fez graduação em Filosofia no Mackenzie e em Educação Física em São Carlos, em escola posteriormente encampada pela Universidade Federal de S. Carlos (UFSCar). Possui carteira profissional de jornalista e se trabalha como escritor. Lecionou em várias universidades no Brasil, teve experiências como pesquisador na Nova Zelândia e Estados Unidos, como Visiting Professor. Foi professor livre docente e titular da UNESP e se aposentou na Universidade Federal do Rio de Janeiro
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