“LULA E O PT precisam se aproximar dos evangélicos”. Todo dia ouvimos isso. Sim, há 40 milhões de evangélicos no Brasil atual. A maior parte, segue pela direita. Se o PT quiser continuar competitivo, tem de se aproximar desse eleitorado que só faz crescer. Todavia, de tudo que escuto sobre as estratégias que devem ser usadas para tal, a maior parte me parece ou inútil ou bestificada. Em geral, as sugestões implicam na descaracterização de uma parte ou de outra. Não funciona, não vai funcionar.
Quando se quer unir grupos, a melhor pedida é a da Alexandre, o Grande. A cada lugar conquistado, fazia seus soldados se casarem com moças locais. Foi assim que ele, tendo vivido só pouco mais de trinta anos, criou a cultura greco-macedônia, que tanto influenciou Roma e gerou o que chamamos de o Ocidente. O casamento obrigava o dominador a trabalhar junto com o dominado. O trabalho comum gerou a empatia necessária para se ter um império, e veio a identificação de cada indivíduo com a cultura do império, e não mais só a dos ancestrais.
O casamento é, antes de tudo, uma divisão do trabalho. É um serviço colaborativo. Já disseram vários escritores: trata-se de um jogo de frescobol, não de voley. Não devemos jogar a bola para que o outro não apanhe, mas devemos acertar a bola para que o outro possa de fato apanhar. Isso é o casamento. Isso é o que os humanos caracterizaram, em boa medida, como trabalho. Essa é a fórmula que pode integrar PT e evangélicos. É necessário uma tarefa comum, útil para o Brasil, e que governo do PT e evangélicos venham a se unir para realizá-la.
A tarefa comum que o estado conseguiu junto aos católicos foi a educação. Deu certo. A tarefa comum entre estado, pelo governo do PT, e igrejas evangélicas, passa pela educação, mas de um modo mais específico.
O estado precisa propor às igrejas o cuidado de escolas, mas principalmente o cuidado de praças e, em primeiro plano, o funcionamento das praças esportivas. Em quarenta anos, fizemos cada cidade do país ter quadras esportivas dentro de pracinhas, e espalhamos quadras cobertas e ginásios de esporte por todo o país. Esperávamos tirar daí uma “potência olímpica”. Não conseguimos. Não se previu, na construção dessas praças, a sua manutenção e o seu funcionamento. Deu no que deu: abandono geral. Em muitas cidades elas se tornaram o “abrigo de nóias”. Onde era para ser abrigo da saúde se inaugurou o abrigo do pequeno tráfico. É preciso retomar o cuidado dessas praças, o pagamento de guardas especiais, o envolvimento dos bairros nesse trabalho, a manutenção de professores em tempo permanente, o funcionamento em todo o período noturno. Essa função pode ser solicitada pelo estado de modo que as igrejas, especialmente as evangélicas, venham a cumprir.
Quer ter uma igreja? Pode ter. Quer isenção de impostos Pode ter. Qual contrapartida? Atuar no cuidado de uma praça esportiva ou não esportiva, ou uma escola, próxima da igreja. Quadras, praças e escolas com o “povo de Deus” fazendo funcionar. Isso não é algo estranho. É bem menos estranho que o casamento proposto por Alexandre, garanto! Muitas correntes evangélicas possuem colégios com tradição em lidar com esportes. Muitos chegam a abrir tais colégios para a comunidade. Ora, se isso é possível, pode-se pensar que uma igreja pague um professor para atuar em uma escolinha de iniciação esportiva (basquete, volei etc.) em praças que estão, não raro, ao lado da igreja. Essas praças podem entrar em interação com a dança e a música, que já está no rol de atividades da própria igreja. Há know how do estado e a há know how nas igrejas para tal, falta apenas a decisão de Alexandre, propondo o casamento, o trabalho comum. Lula poderia ter essa ideia. Mas se Lula não a tem, os prefeitos do PT podem ter essa ideia. Ou ao menos algum vereador do PT. Quem sabe um vereador petista e evangélico, né?
Em nada isso que proponho fere a laicidade do estado e muitos menos a laicidade do ensino público. Trata-se de um trabalho de manutenção de espaços que todos usam, e se a igreja evangélica está ali, os filhos de seus frequentadores serão os primeiros interessados em ver a escolinha esportiva do bairro servir para eles mesmos. Quem participa do coral da igreja, da bandinha da igreja, participa da escolinha esportiva. A diferença é que a escolinha esportiva funciona não no prédio da igreja, mas no espaço público, e possui professores concursados, onde a religião não deve ser o critério para se empregar.
Em cada cidade, veja como há mais de uma igreja evangélica ao lado de uma pracinha esportiva abandonada. Veja quanto de energia positiva conjunta poderia estar sendo mobilizada. Essa energia conjunta vai gerar pessoas de doutrinas diferentes se olhando, construindo a cidadania comum, e vocês irão notar que esse fator educacional é um elemento de coesão espetacular entre crianças e entre adultos mantenedores. Garanto a todos da esquerda que isso é um trabalho autenticamente de esquerda. Garanto a todos do “povo de Deus” que Deus não irá ficar triste, muito ao contrário.
Paulo Ghiraldellli, professor, filósofo, escritor e jornalista
Descubra mais sobre Paulo Ghiraldelli
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

É por aí professor. Só bater na religião não é inteligente. Você muda ideologias com o coração e grana. Isenção tendo como contrapartida cuidar de algo. Sou professor do ensino fundamental e todo ano é comum ter 6,7 alunos muito atrasados. Aí poderia ter outro espaço para chamá-los (evangélicos). Concordo. Material pra bater em pastor é só o que temos. Mas não tem resultado.
Infelizmente, não funciona assim pois metade desse tipo de gente acredita estar na idade média ou que judeus aceitaram cristo. Isso não é coisa do Bolsonaro ou Banon eles apenas se aproveitaram da quantidade de debiloides e energúmenos. O único problema de uma praça ou escola publica recebendo financiamento desses caras… vai ter grupelhos de idiotas proibindo uso ou até mesmo a passagem por parques de pessoas de culturas diferentes, como acontece em cidades norte americanas, esse infelizmente é um problema que só se resolve de maneiras mais “diretas”, nem sempre a resolução é agradável, pouco importa como termina.
O Paulo é ingênuo…É como dizer isto na Alemanha quando começava nazismo com planos claros de tomarem o poder e ferrarem todos…
Ingênuo? É burro mesmo!!! Os remédios acabaram com a cognição dele.
Ingênuo? Kkkkkkk
O Ghiraldelli é burro mesmo!!! Os remédios acabaram com a sua cognição.
Não é possível comentar.